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“A UDT persegue os seus fins em rigoroso respeito e observância das regras democráticas de acção política, concorrendo para a formação e expressão da vontade política do Povo Timorense em liberdade e igualdade com as demais associações políticas timorenses e dentro do pluralismo ideológico.”
In Memorium Mestre Egídio Meles Dias Ximenes*
Koalia konaba Igreja Katolika iha Timor Leste, ita labele hadook-an hosi personalidadi sira nebe dedika sira nia-an hodi harí metin Igreja Katolika iha Timor Leste. Hosi mestres, professores i katekistas lubun wain nebe servisu makaás ba Igreja Katolika, hau hili mestre Egídio Meles Dias Ximenes, iha artigu ida ne’e hodi hanoin konaba nia loron moris nian, iha loron 01 fulan Setembro.
Se karik sei moris, ohin loron mestre Egídio Meles Dias Ximenes halo tinan 93 (sia nulu resin tolu). Moris simples, honesto i defende dalan los hanesan modelu moris nebe mestre Egídio Meles Dias Ximenes husik hela. Moris hamutuk ho Igreja Katolika hanesan mensajem nebe mestre Egídio Ximenes husik hela iha Timor molok nia iis kotu iha nia uma bairro Bemori, Dili.
Mestre, professor-katekista Egídio Meles Dias Ximenes, moris iha Laleia, konselho Manatuto, loron 01 fulan Setembro tinan 1915. Oan hosi aman-inan katoliku Francisco Dias Ximenes i Maria da Conceição, duranti nia moris tomak, nia dedika-an hodi hari metin no haburas dutrina Igreja Katolika no prega metin dutrina Jesus Cristu iha Timor Leste. Ho tinan 9 (1924-1927) sai hosi Laleia ba Dili hodi hahu aprende primeira letra iha Escola Municipal de Dili. Iha tinan 1929 ba hahu eskola iha Soibada, i, haklaken dutrina Maromak nian desde 1933-1936. Transferidu hosi Soibada ba Baucau (suku: baucau vila, Fatumaka leten no Fatumaka kraik, uailili, seluk-seluk tan) i Venilale (Sukus: Uatu-Haco, Uai-Oli, Fatulia, Baha-Mori i Badu-Ho’o), hosi tinan 1936 to’o 1948. Desde 1948 transferidu filfali ba Manatuto to’o tinan 1967.
Desde 1967, filafali ba Dili, hodi hahu servisu hamutuk ho padre matebian Eduardo Brito iha Igreja Imaculada Conceição de Balide.
Iha tinan 1986, loron 3 fulan Dezembro, mestre Egídio Meles Dias Ximenes simu homenajem Condecorasaun S. Pedro i S. Paulo hosi Santo Padre João Paulo II. Hamutuk ho mestre Egídio, simu mos medalha mestre Humberto Lopes da Cruz, mestre Atanásio da Costa Soares, mestre Mateus da Costa i mestre César do Carmo Pinto.
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Kuandu hahu funu maun-alin iha tinan 1975 to’o hahu invasaun militar Indonésia iha Timor Leste, loron 07/12/1975, mestre Egídio Meles Dias Ximenes, ho família halai ba ai-laran duranti tinan 4. Kontinua iha Fé ba Aman Maromak, iha tinan 1979 fila hosi ai-laran ba Dili. Mestre Egídio Meles Dias Ximenes, hela iha bairo Bemori, kontinua servisu iha Igreja Katolika Imaculada Conceição de Balide to’o loron mate iha tinan 1996, loron 25 fulan Abril.
Konaba kultura Timor, mestre Egídio Meles Dias Ximenes, halo muzika tradisional barak hodi hanorin i husik hela iha Timor Leste.
Konaba edukasaun iha Timor Leste, mestre Egídio Ximenes husik hela alunos barak hanesan padres, ema politiku, diplomata, muzikus, professores i katekistas iha Timor Leste.
Iha historia politika Timor, Mestre Egídio Meles Dias Ximenes hanesan autor hino nasional UDT nian, MAUN ALIN. Oan mane ida naran Egídio Meles Dias Ximenes, mate iha funu maun-alin iha Aileu iha 1975. Oan mane ida seluk naran Jacob Meles Dias Ximenes, lakon (desaparecido) iha kasu Marbia, 1979. Bei-oan ida naran Ulises Ximenes Gonçalves mate iha massacre Santa Cruz, 1991.
Mestre Egídio Meles Dias Ximenes mate iha loron 25 fulan Abril tinan 1996 iha bairro Bemori, ho tinan 80, husik hela historia diak hodi ita kontinua hanoin ba nafatin i halo tuir hanoin no hahalok nebe nia husik hela iha Timor Leste.
Bainhira ita koalia konaba Igreja Katolika iha Timor Leste no kultura Timor nian, ita nunka atu husik hodi temi mestres, professores-katekistas lubun wain nebe harí metin dutrina Jesus Cristo iha ita rain doben Timor Leste.
*Celso Oliveira, bei-oan hosi mestre Egídio Meles Dias Ximenes.
"A justiça é a verdade em acção."
Disraeli
Um dia, ainda que não seja nos nossos dias, quando a Justiça dos homens não for permeável a modas nem por elas se deixar subjugar, chegará o tempo em que nos darão abertamente razão aqueles que, hoje, ainda que em surdina, sempre vão reconhecendo que, em 1975, a razão estava do lado da UDT que, corajosamente, enfrentou com verdade os que se se julgavam únicos representantes de Timor Oriental, esquecendo o direito de outros timorenses...
Um dia se concluirá da grande injustiça que, anos após ano, se foi fazendo contra a UDT; o nosso partido teve a coragem de pensar diferente, de pretender uma via mais consentânea com a realidade de Timor e, por isso, foi castigado, por isso os seus filiados foram barbaramente assassinados, torturados, perseguidos, vilipendiados. Por isso, e porque a História não se apaga, devemos recordá-los em cada Onze de Agosto.
Aqui fica a nossa homenagem aos filiados e dirigentes da UDT que ousaram pensar diferente, vendo mais longe e melhor.
Viva a UDT!!!
A independência de Timor é fruto do sacrifício de muitos timorenses, de todos os quadrantes políticos. Pelo menos, é o que os políticos dizem quando pretendem propagandear ao Mundo a unidade conseguida pelos timorenses durante mais de uma vintena de anos na luta travada com os indonésios.
Antes ainda da entrada dos invasores indonésios, Timor encontrava-se a ferro e fogo, numa luta fratricida que dizimou muitos milhares de timorenses cujo único crime consistiu na liberdade de pensamento que defendiam ser um direito humano inalienável. Não o pensaram assim os fautores da independência unilateral de 28 de Novembro de 1975.
Milhares de timorenses - por haverem cometido o crime de querer um Timor independente diferente do que o que pretendiam a FRETILIN e o Poder português saído da Revolução de Vinte e Cinco de Abril de 1974 – foram barbaramente assassinados por outros timorenses acobertados pelo revolucionarismo de cariz esquerdista.
Pensava eu que passados mais de trinta anos sobre o ano nefasto de 1975, os líderes timorenses que hoje ocupam cargos políticos – após anos do que eu imaginava ser de profunda interiorização da fundamental unidade nacional feita à custa de sangue, suor e lágrima de todo o povo, ao qual pertencem os militantes de outros partidos timorenses para além da FRETILIN - tivessem (finalmente!) concluído que a independência de Timor se deve a todos os timorenses e não só a determinado partido e a algumas personalidades políticas desse partido.
Julgava eu, animado do fervor patriótico que a todos os timorenses anima em dias de comemoração da independência a 20 de Maio– data a que pomposamente se denomina de restauração da independência -, que a liderança timorense teria coragem suficiente para incluir, nos seus discursos oficiais, na imposição de medalhas, de condecorações, da saudação aos mártires da Pátria, os mártires de outros partidos que pereceram às mãos da FRETILIN, antes ainda da invasão oficial pela Indonésia.
Acredito também que os sobreviventes das masmorras de Aileu se lembram do sofrimento e dos terrores infligidos pelos revolucionários. Mas, se alguns prisioneiros se salvaram (alguns deles devido ao gesto de clemência de uns muito poucos revolucionários condoídos da sua má sorte) igual sorte não coube a tantos outros que jazem em valas que guardam milhares de restos mortais de militantes da UDT, da APODETI e do KOTA, quantos deles enterrados vivos!
Tem sido vã a esperança de que os líderes timorenses se imbuam da generosidade de reconhecer que, para além dos mortos às mãos da Indonésia, timorenses houve – e foram milhares! – que sucumbiram às mãos dos revolucionários da FRETILIN.
E assim é que, ano após ano, em cada 20 de Maio da comemoração da independência, se prestam loas, se curvam, se referem os nomes de militantes da FRETILIN e se esquece de que timorenses houve que mataram outros timorenses cujo único crime foi pensar um Timor livre mas diferente.
E é por isso também que, ano após ano, vou perdendo a crença de que a unidade nacional é real, é interiorizada, é sentida.
Assim será enquanto permanecerem propositadamente esquecidos nomes dos que foram barbaramente assassinados pela FRETILIN, numa tentativa da liderança de falsear a História branqueando aqueles que ordenaram as execuções.
Mas, se a liderança timorense, se os detentores do Poder político de hoje continuam a ignorar o nosso contributo para a independência de Timor, se todos teimam em esquecer os nossos mortos, gritemos a nossa revolta ao Mundo – apesar do esquecimento do Senhor Presidente da República Ramos Horta num gesto consequente de gesto igualmente revelador da vontade do seu antecessor Xanana Gusmão de esquecer que há outros heróis em Timor - dizendo que a FRETILIN assassinou
Vasco Senanes,
Fernando Luz,
Agapito Mariz,
Coronel Lourenço,
Casimiro,
Maggiolo Gouveia,
Nélio Oliveira,
César Mouzinho,
José Oliveira,
Luís Oliveira,
Serafim dos Santos,
Guilherme Exposto dos Santos,
Adão Exposto,
Águedo Inácio,
Rogério Inácio
Se a esperança deve prevalecer, então direi que continuo à espera que Timor seja um dia a Pátria que entre os seus braços vai acolher todos os seus filhos independentemente da sua raça, credo ou convicção política! E que então ninguém mais se sentirá injustiçado, marginalizado, ignorado, numa desnecessária demonstração de desprezo.
Hélder Encarnação